Por colaboradora: Luci Cara
A poetisa norte-americana Emily Dickinson nasceu em 1813. Época não favorável à sua paixão, ou à sua personalidade. Foi obrigada a deixar a escola religiosa por não abraçar a fé. E os seus milhares de poemas permaneceram espalhados: em sua casa, e nas cartas que trocava com seus amigos e conhecidos. Em vida teve publicados, em jornal, apenas cerca de dez deles.

Foto: Divulgação
Nessa belíssima obra cinematográfica, vemos retratadas sua devoção à Literatura, sua rotina pacata, suas paixões proibidas e ouvimos uma doce voz recitar suas emoções.
Brilhante trabalho de tradução, seus poemas usam elementos do cotidiano para criar arte, a mais bela. Os atores se revesam interpretando a poetisa e seus irmãos em duas fases de suas vidas.
Além das Palavras é um filme extremamente melancólico, para quem gosta de arte, para quem sente empatia pelo sofrimento alheio. É angustiante para quem precisa de muita ação, de euforia, de finais “felizes para sempre”.
Segue, para degustação, um poema que dá título (Não sou ninguém) à tradução de uma coletânea. Por Augusto de Campos, editora Unicamp:
I´m nobody
Are you-Nobody-too ?
Then there´s pair of us
Don´t tell ! they´d advertise-you know!
How dreary -to be -Somebody!
How public-like a frog-
To tell one´s name-the livelong June-
To an admiring Bog!
Não sou Ninguém! Quem é você ?
Ninguém-Também ?
Então somos um par!
Não conte ! Podem espalhar!
Que triste-ser-Alguém!
Que pública-a Fama-
Dizer seu nome-como a Rã-
Para as palmas da Lama!
