A Música em Câmera Lenta: 31 filmes para assistir e escutar música clássica


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Quando GUIDO D’AREZZO formulou as notas musicais e a técnica musical deu um salto extraordinário, a dita sétima arte estava muito longe de vir à lume. Naquela época a ESCOLA DE MÚSICA DE NOTRE DAME DE PARIS belamente louvava a Deus e convivia com as desventuras de certo CORCUNDA (1996), que do alto das torres da icônica catedral admira a beleza de uma ESMERALDA.

Nos mosteiros os monges e monjas falavam com Deus através do CANTO GREGORIANO. Mesmo assim, podiam ser atingidos pelas artimanhas do inimigo que gera desconfiança, fanatismo, pânico e morte, como em O NOME DA ROSA (1986). Para além da música litúrgica, HILDEGARD VON BINGEN deixou-nos obras fantásticas. Talvez em alguma VISÃO (2009) tais sons lhe tenham chegado. Com toda certeza algo transmitido por Deus.

A Igreja, detentora das artes também inspirou e patrocinou. Por seu intermédio temos PALESTRINA que com mais de mil composições tornou-se o PRÍNCIPE DA MÚSICA (2009). Alguns padres não ficaram apenas a admirar a execução das peças musicais. Dentre eles tivemos músicos, cantores e compositores. VIVALDI, O PADRE VERMELHO (2009), virtuoso do barroco, parecia ser mais devoto com o violino em punhos do que a segurar o cálice. Deleitava-se a contemplar a criação, percebendo as mudanças causadas pelas QUATRO ESTAÇÕES do ano, como a um recriar do Altíssimo a todo instante.

A obra de BACH não ficou restrita a órgãos e cravos bem temperados. Aos assistir FARINELLI, O CASTRATI (1994)o compositor chegou a passar mal com a voz estridente de um dos maiores cantores que o mundo já ouviu.

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O prodígio de MOZART, o AMADEUS (1984), chamava a atenção de todos por sua excentricidade e genialidade. Um menino especial que com a FLAUTA MÁGICA nas mãos nos levava à missão de sermos nós mesmos. Mas SALIERI não conseguia engolir tamanho talento que o enlouquecia de inveja. O SEGREDO DE BETHOLVEM (2006) é que ele guardava em seu coração uma AMADA IMORTAL (1994). Pode ser que a força deste amor oculto tenha sido a inspiração para sua grande obra prima, a 9ª SINFONIA.

E o que dizer da melancolia de FREDERIC CHOPIN exilado em Paris, doente e com poucos amigos? Na noite escura, nos NOTURNOS, soube nos dizer que há uma magia e beleza singulares na solidão. Ensinou-nos com isso que À NOITE SONHAMOS (1945) com saudades da terra natal, sua POLONAISE. Na mesma época o também pianista FRANZ LIST encantava plateias e se envolvia em paixões por onde passava vivendo seu SONHO DE AMOR (1960).

Mas nem tudo é sonho. O que dirá de CLARA que tocava sua SONATA DE AMOR (1947) ofuscada por seu esposo ROBERT SCHUMANN? Sofrimento feminino vivia POLDI VOGELHUBER com as traições do marido JOHANN STRAUSS, que a abandonava para ficar com a amante, a cantora de ópera CARLA DONNER e com ela dançar uma GRANDE VALSA (1938).

Mas a dança mesmo ficou a cargo de TCHAIKOVSKY, um balé sem igual, um LAGO DOS CISNES, um boneco QUEBRA-NOZES a lutar por sua amada. Como sua música, sua vida foi um DELÍRIO DE AMOR (1970). Mas a dança não é exclusividade de ninguém. Todos podemos dançar, mas para isso é preciso música, pois a vida é uma dança. O que dizer de RAVEL e sua música a mostrar-nos os RETRATOS DA VIDA (1981) como a um bolero?

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E alguns destes retratos dizem que nem tudo é fácil. Disso bem soube GIUSEPE VERDI, que apesar de tudo, nos brindou com LA TRAVIATTA e lutou contra o domínio estrangeiro ao compor a opera NABUCCO. Estavam os italianos como os antigos judeus no cativeiro da Babilônia, tristes e sentados às margens dos rios do lugar. Penduraram suas harpas com saudades de Sião a bradar VÁ PENSIERO… Foi ele O REI DA MELODIA (1953). Italiano como ele e também mestre da ópera foi PUCCINI, que apesar de ter tido mais que DOIS AMORES (1953), mostrou que os sentimentos de um homem podem também ser representados no palco.

O romance de Coco CHANEL E STRAVINSKY (2009) expôs o choque entre dois grandes artistas. VILLA LOBOS também viveu UMA VIDA DE PAIXÃO (2000).O drama muitas vezes se dá quando O SOLISTA (2009) se apresenta com O VIOLINO VERMELHO (1998), envernizado com sangue humano, ou quando O PIANISTA (2002) preso pelos nazistas passa pelo inferno em vida. Sobrevivente dos horrores do holocausto interpreta a saudade e a tristeza das perdas. Assim pode ser a vida. Ela exige que às vezes é preciso se equilibrar como um VIOLINISTA NO TELHADO (1971).

O PIANO (1993) abandonado na praia era o único sinal de alegria de ADA McGRATH, que embora não pudesse falar, tinha a alma repleta de palavras. Dos mistérios daquelas mesmas ondas vêm A LENDA DO PIANISTA DO MAR (1998), assim como também O VIOLINISTA que de lá veio (2004).Aquelas águas nos enviam muitos músicos, não? Talvez possamos formar O QUARTETO (2012) ou quem sabe O CONCERTO (2009). Reunindo a todos teríamos a oportunidade de executar um ENSAIO DE ORQUESTRA (1978), de uma ORQUESTRA DE MENINOS (2008) para mostrar TUDO QUE APRENDEMOS JUNTOS (2015).

Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB do Mosteiro de São Bento de São Paulo e que assina o presente artigo, listou 31 filmes para assistir e escutar música clássica. Confira!

LISTA COMPLETA DOS FILMES:
1. O Corcunda de NotreDame – Animação (1996);
2. O Nome da Rosa (1986);
3. Visão (2009);
4. Palestrina, o príncipe da música (2009);
5. Vivaldi, o padre vermelho (2009);
6. Farinelli, o castrati (1994);
7. Amadeus (1984);
8. Minha amada imortal (1994);
9. O Segredo de Betholvem (2006);
10. À noite sonhamos (1945);
11. Sonho de amor (1960);
12. Sonata de amor (1947);
13. A grande valsa (1938);
14. Delírio de amor (1970);
15. Giuseppe Verdi, o rei da melodia (1953);
16. Os dois amores que tive (1953);
17. Retratos da vida (1981);
18. Chanel e Stravinsky (2009);
19. Villa lobos, uma vida de paixão (2000);
20. O Solista (2009);
21. O Violino vermelho (1998);
22. O Pianista (2002);
23. O violinista no telhado (1971);
24. O Piano (1993);
25. A Lenda do pianista do mar (1998);
26. O Violinista que veio do mar (2004);
27. O Quarteto (2012);
28. O Concerto (2009);
29. Ensaio de orquestra (1978);
30. A Orquestra de meninos (2008);
31. Tudo que aprendemos juntos (2015).

Monge beneditino Dom João lança nova obra


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O livro “Terço de São Bento” surge num momento de grande dificuldade para todo o mundo. A obra composta pelo monge beneditino do Mosteiro de São Bento de São Paulo, Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB durante a pandemia, tem como objetivo auxiliar espiritualmente os católicos e demais devotos de São Bento (480-547) a manterem-se firmes na fé, alegres na esperança, pacientes na tribulação.

Existem diversos tipos de terços utilizando-se do instrumento tradicional de contas católico, no qual se costuma rezar Pais-Nossos e Ave-Marias, como o Terço da Divina Misericórdia, o Terço da Divina Providência e o Terço de São José, além, obviamente da terço tradicional mariano, só para mencionar alguns. Esta variedade de invocações visa aumentar a devoção da prática meditativa e devocional a determinado santo ou situação específica, o que ajuda a nutrir a esperança e a fortalecer a fé em Deus.

O Terço de São Bento tem como núcleo oracional a oração da Medalha de São Bento. Nos cinco mistérios meditados a oração é recitada. Além disso, frases da regra escrita pelo próprio São Bento (RB) são relembradas a todo instante, uma maneira de o fiel também conhecer a única obra escrita pelo santo.

Em tempos difíceis como o que estamos vivendo, é necessário alimentar nossa alma. Sabemos que além das dores físicas causadas pelo vírus da Covid 19, da morte e das consequências dela na vida de todos, acaba por também atingir nossa dimensão espiritual, que em muitos casos fica bastante abalada.

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São Bento é um destes santos invocados contra os males físicos, mas também os da alma. Como bem sabemos, ele quando iniciava qualquer projeto ou quando se encontrava diante do mal, fazia o sinal da cruz, confiando sempre na misericórdia divina. Foi a partir de sua convicção que conseguiu sair ileso de atentados contra sua própria vida. Ele nos ensina a nunca perder a fé e a esperança na misericórdia de Deus que nos conduz todos juntos à vida eterna.

Devido à sua fama de exorcista se tornou muito popular a Medalha de São Bento com orações que se acredita ter sido usada pelo santo de Núrsia. Também nós, como ele poderemos obter muitas graças se nos entregarmos totalmente aos cuidados do Senhor.

O livro traz ainda uma sugestão de oração para toda uma semana, de domingo a sábado, desde à manhã, à tarde e à noite, com frases jaculatórias para rezar e repetir durante toda a jornada, um convite a uma vida espiritual mais intensa, uma experiência com a mensagem da luz que emana da cruz de Cristo.

Tanto a recitação do terço quanto as orações diárias propostas, buscam confortar o coração e a alma do crente, de uma maneira equilibrada e teológica, trazendo confiança interior e força para enfrentar as adversidades.

O livro será lançado no dia 21 de março, dia do Trânsito (morte) de São Bento, às 21h numa live especial no perfil do instagram @djoaobaptista, e pode ser adquirido clicando aqui com entrega para todo o Brasil.

Título: Terço de São Bento
Autor: Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Selo Corvo Amigo (Tocando a vida com leveza Editora)
Dimensões: 10,5cm x 14,8cm
Número de Páginas: 41
ISBN: 978-65-990943-2-3

Live de Leitura: A Poderosíssima Medalha de São Bento

Live de Leitura: A Poderosíssima Medalha de São Bento

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No dia 11 de julho, às 15h, Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB, monge beneditino do Mosteiro de São Bento, conduzirá a Live de lançamento do livro de sua autoria: “A Poderosíssima Medalha de São Bento”, com transmissão nas redes sociais da Editora Ave-Maria.

A Live de lançamento da obra será no dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica do Santo que nos inspira a ter uma relação direta com Deus. Dom João Baptista, OSB, falará diretamente do Mosteiro de São Bento de São Paulo sobre este precioso sacramental da Igreja, que, de tão popular, ao vermos, já nos lembramos de sua oração e de São Bento.

O livro “A Poderosíssima Medalha de São Bento” contém o Tríduo e a Via-Sacra de São Bento.

A obra escrita por Dom João Batista tem o propósito de fazer com que o fiel entenda o real significado e a história da medalha; além da história de São Bento e sua relação com a cruz.

Serviço:
O que? Live de lançamento do livro “A Poderosíssima Medalha de São Bento”
Quando? 11/07/2020, às 15h
Local: Facebook, Instagram e Youtube da Editora Ave-Maria

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Conheça um pouco da história do Mosteiro de São Bento por meio da comida


Créditos: Wellington Batista


O Mosteiro de São Bento de São Paulo é muito famoso pelo canto gregoriano entoado pelos monges e pela beleza de sua igreja histórica, mas é também conhecido por sua loja onde são comercializados pães, bolos, biscoitos e outras delícias monásticas.

Fonte de renda dos monges, a comercialização dos produtos gastronômicos começou em 1999. O empreendimento deu certo, e dez anos depois, abriu uma filial no bairro dos Jardins, região nobre de São Paulo. Além disso, os mesmos produtos podem ser adquiridos pelo site da padaria: www.padariadomosteiro.com.br, e enviado para todo o Brasil.

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Recentemente, foi publicado um livro com 100 receitas do mosteiro. “Cozinhe com os monges: as tradicionais receitas de entradas, pratos e sobremesas do mosteiro de São Bento”, da Editora Planeta, traz receitas diversas, inclusive do disputadíssimo brunch, evento que ocorre sempre no último domingo do mês, quando os monges abrem as portas ao público para uma refeição especial.

O livro, além das receitas, traz a história da comida no Ocidente, e mais especialmente em São Paulo. São transmitidos relatos históricos sobre o mosteiro e sua relação com a cidade, tudo por meio da comida. Costumes desde quando os monges chegaram em São Paulo, ainda no século XVI e o desenvolvimento do cenóbio em mais de 400 anos. A transformação que o mosteiro sofreu, ocorre paralelamente com as mudanças ocorridas na cidade, que cresceu ao redor da habitação dos monges, que ainda hoje observa a correria dos transeuntes que percorrem o Largo de São Bento.

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“Cozinhe com os monges: as tradicionais receitas de entradas, pratos e sobremesas do mosteiro de São Bento” é uma pesquisa do Monge Dom João Baptista Barbosa Neto, bibliotecário do mosteiro, com a oblata beneditina, Sandra Marina Witkowski.

Você pode adquirir o livro em  https://bit.ly/31BrCzv 

Monge lança novo devocionário para os devotos de São Bento


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Desde a antiguidade os cristãos se preocuparam em transmitir costumes no culto para reverenciar a Deus e a seus seguidores, os santos. Inicialmente as orações dos cristãos eram as mesmas dos judeus, uma vez que eles eram também judeus e ainda não se reconheciam diferentes deles. Assim, nossa Liturgia das Horas e a recitação dos Salmos são herança clara, além de outros elementos. No entanto, aos poucos, a partir do século 2º, nossa maneira de rezar vai ganhando forma própria. Uma liturgia mais exclusiva se desenvolve e o culto propriamente “cristão” se espalha.

Como os cristãos eram perseguidos por sua fé, precisavam rezar às escondidas. Aliás, este dado já pode ser encontrado na ocasião da morte do Cristo, quando os Apóstolos se reuniam às portas fechadas. O culto cristão nasce destas reuniões clandestinas. Os locais eram os mais variados: residências, cemitérios… Nesta época ainda não existiam os templos cristãos, as igrejas que conhecemos hoje. Mas não foram poucas as vezes que eram denunciados por praticarem a fé no Cristo. Estes homens e mulheres eram levados diante de autoridades governamentais e religiosas para prestarem culto a deuses pagãos e renegarem a fé em Jesus Cristo. Alguns deles não aceitavam tais imposições. Assim, eram condenados por morte infame. Passaram a ficar conhecidos como mártires, que quer dizer testemunhas.

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O primeiro mártir foi Estevão, em Jerusalém, e sua morte é relatada no livro dos Atos dos Apóstolos. Aliás, os Apóstolos, aqueles que foram escolhidos pelo próprio Jesus para levar adiante sua missão, foram mortos por causa da fé, salvo João que morreu bem idoso.
Nos três primeiros séculos, milhares de homens e mulheres deram sua vida por Cristo.

A devoção aos santos mártires se espalhou por todo o mundo Antigo e suas histórias, fomentaram devoções tanto no âmbito local, quanto no universal. Em praticamente toda região dominada pelo Império Romano houve perseguição em algum momento da história. Em pouco tempo surgiam pedidos e orações por estes santos que já estavam com Deus.

Junto à devoção aos santos mártires, Maria, a Mãe de Deus, também foi ganhando espaço cativo no coração dos cristãos. Ela, que havia dito “sim” ao projeto de Deus, estava também diante d’Ele em sua glória. A oração da Ave-Maria vai se desenvolvendo e sendo recitada com algumas variações em diversos lugares. Tornou-se aos poucos, uma oração “obrigatória”.

Após o período dos mártires, a Igreja vive uma outra fase. A dos confessores, dos Padres do Deserto, monges e monjas, e ao mesmo tempo, a dos chamados Padres da Igreja. São Bento encontra-se inserido neste período histórico.

Os cristãos reconhecem nos santos, intercessores junto a Deus. Suas vidas repletas de caridade pelo próximo e por uma particular reverência a Deus e sua mensagem, são espelho para nossas vidas.

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Mas quem é São Bento?

A História de São Bento, sua vida, foi escrita por São Gregória Magno, um monge que se tornou um dos mais importantes Papas da História da Igreja. Nascido em Núrsia, (Itália) por volta do ano 480 de uma família nobre, São Bento ainda jovem estudou em Roma, tendo posteriormente procurado viver como eremita numa gruta chamada Subiaco. Anos depois, fundou em Montecassino um mosteiro. Foi nesta localidade que escreveu uma regra de vida, hoje conhecida como Regra Beneditina ou simplesmente, Regra de São Bento. Esta regra determina que os monges dividam o tempo no mosteiro entre momentos de oração e trabalho (Ora et Labora), lema da Ordem dos assim chamados Monges Beneditinos.

São Bento morreu no mosteiro de Montecassino a 21 de março de 547. Suas relíquias podem ser veneradas na crípta deste cenóbio, num magnífico mausoléu decorado em estilo beuronense.

Os monges beneditinos fundaram milhares de mosteiros em muitos países europeus durante a Idade Média. Na América o primeiro mosteiro beneditino foi fundado em Salvador, na Bahia, em 1581. Hoje os monges e monjas estão espalhados por todo o mundo.

São Bento é bastante conhecido por sua medalha e pela oração que ela carrega. Infelizmente, sua história resumidamente relatada aqui, é pouco conhecida, apesar de o santo ser bastante venerado.

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Um devocionário a São Bento

Há muitos devocionários e/ou novenas dedicados a São Bento. O Devocionário e Novena agora publicado pela Editora Ave-Maria, porém, foi elaborado por um beneditino e traz algumas orações apenas rezadas em mosteiros. Obviamente, traz também orações da devoção popular, de bela composição e que já faz parte da vida de muitos fiéis.

Há uma importante explicação sobre a história e sentido da Medalha de São Bento, com as versões em português e latim de sua oração:

A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que me ofereces, bebes tu mesmo do teu veneno!

São Bento, como um dos santos mais queridos, têm o culto aprovado e preservado pela Igreja. O Catecismo da Igreja Católica – CIC – traz importante esclarecimento a respeito do culto das imagens dos santos:

Todos os sinais da celebração litúrgica são relativos a Cristo: são-no também as imagens sacras da santa Mãe de Deus e dos santos. Significam o Cristo que é glorificado neles. Manifestam “a nuvem de testemunhas” [Hb 12, 1] que continuam a participar da salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Através dos seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado “à imagem de Deus” e transfigurado “à sua semelhança”, assim como os anjos, também recapitulados por Cristo […]. (§1161)

O Concílio de Trento, a respeito do culto dos santos, de suas relíquias, assim como de suas imagens, decreta que
[…] devem-se conservar, especialmente nos templos, as imagens de Cristo, da Virgem mãe de Deus e dos outros santos e a elas deve conferir a devida honra e veneração, não por se acreditar que haja nelas alguma divindade ou virtude em razão da qual deveriam ser cultuadas, ou para se obter algo delas, ou porque se deva depositar confiança nas imagens, como outrora ocorria com os gentios, que colocavam suas esperanças nos ídolos, mas porque a honra que é a elas dirigidas volta-se para os modelos que representam, de tal forma que, através das imagens que beijamos e diante das quais descobrimos a cabeça e nos prostramos, adoramos a Cristo e veneramos os santos cuja aparência elas reproduzem.

Isto é o que, através dos decretos dos concílios, sobretudo o segundo sínodo de Nicéia, estabeleceu-se contra os que atacavam as imagens […].
Este espírito cultual pode assim, ser encontrado nos devocionários, novenas e preces, como a que apresentamos.

Estas orações podem ser praticadas tanto particularmente, quanto em grupo, em casa em em capelas, igrejas, etc. É muito comum, por exemplo, uma comunidade eclesial rezar a novena em honra de um santo, nos dias anteriores ao do próprio santo ou santa. Isto ocorre geralmente nas igrejas onde estes santos são os titulares ou padroeiros. A novena a São Bento deve assim, ser rezada a partir dos 9 dias que antecedem ao dia 11 de julho, seu dia litúrgico. Há de se dizer, ainda que, a São Bento são dedicados dois dias festivos, 21 de março, dia de seu trânsito – morte – e 11 de julho – o mais celebrado – dia em que ocorreu a transladação de suas relíquias para a Abadia de Fleury, França, na Idade Média.

Este dia acabou por ser mais celebrado, devido ao dia 21 de março cair algumas vezes durante a Semana Santa.
Monges e monjas beneditinos

Ainda, sobre o nosso devocionário, tive a preocupação também, de nele acrescentar orações a santos e santas que percorreram a sabedoria beneditina, como sua irmã gêmea, Santa Escolástica, e aos dois primeiros seguidores de São Bento, os jovens São Mauro e São Plácido. Estes santos de grande importância, são ainda menos conhecidos que São Bento. Desta maneira, há uma possibilidade de os fiéis a eles invocarem também com orações devotas.

Além destas orações, os fiéis poderão rezar com a Regra de São Bento, uma vez que alguns trechos dela encontram-se na novena elaborada especialmente para o devocionário.

Há ainda, curiosidades que direta ou indiretamente remete à figura de São Bento ou aos beneditinos, como o Canto Gregoriano, a Lectio Divina, canto e meditação oficiais da Igreja e sempre preservados nos mosteiros.
Ao final encontram-se também endereços de alguns lugares beneditinos no Brasil, para que os fiéis conheçam com maior profundidade estes locais em que o espírito de São Bento é mais evidente. Os mosteiros são lugares de acolhida. Sempre estão de portas abertas para receber a todos.

Há de se dizer aqui que o Devocionário e Novena de São Bento têm também o cunho vocacional. São Bento dá especial importância à vida de oração. A regra Beneditina está repleta de preceitos sobre o modo de rezar e seu sentido no mosteiro. O monge deve rezar sempre, pois é um buscador de Deus. Assim, tais orações podem despertar nos jovens a curiosidade e o desejo de ingressar no mosteiro ou conhecer este oasis onde podemos encontrar o refrigério de Deus.

São Bento, apesar de ter vivido há mais de 1500 anos, é um santo para hoje, para agora. Há no mundo mais de 7.000 monges e 13.000 monjas. Os oblatos (leigos beneditinos) são bem mais numerosos, contando mais de 25.000. Num mundo de barulho e de dispersão, este números de buscadores de Deus à maneira de São Bento é de se admirar.

Devido a importância dos beneditinos na história, não apenas no sentido eclesiástico ou espiritual, mas também cultural, no ano de 1964, o Papa Paulo VI proclamou São Bento como Padroeiro da Europa.
O Papa Emerito Bento XVI em visita ao Mosteiro de Montecassino, fundado por São Bento e onde se conservam suas relíquias, proclamou: Os monges souberam ensinar com a palavra e com o exemplo a arte da paz atuando de modo concreto os três “vínculos” que Bento indica como necessários para conservar a unidade do Espírito entre os homens: a Cruz, que é a própria lei de Cristo; o livro, isto é, a cultura; e o arado, que indica o trabalho, o senhorio sobre a matéria e sobre o tempo.

Como os beneditinos, os fiéis devotos de São Bento podem proclamar as alegrias de Deus e render-lhe graças pela intercessão deste grande santo, o qual nos ensinou a dizer: que em tudo seja Deus glorificado.

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O Mosteiro de São Bento de São Paulo

O Mosteiro de São Bento de São Paulo é a casa beneditina mais antiga da cidade. Sua fundação remete ao século XVI, 1598. É um dos pontos turísticos mais visitados da capital paulista, sendo seu ponto alto a missa das 10h do domingo, na qual os monges entoam hinos com canto gregoriano.

Com uma bela fachada em estilo neorromânico e uma basílica decorada com a chamada arte beuronense, uma arte alemã, o visitante pode admirar a vida de São Bento contada no teto, nos vitrais e esculturas. É um dos símbolos de São Paulo.

Outro ponto importante é a padaria do mosteiro. Bolos, pães, biscoitos e até cerveja podem ser adquiridos num espaço todo especial que também oferece medalhas e souvenires aos visitantes. E no último domingo do mês é oferecido um brunch todo especial, mediante a reserva e compra de ingressos antecipadamente.

Além disso, o lugar hospedou a já mencionado Papa emérito Bento XVI em sua única visita ao Brasil, em 2007 e que ainda hoje conserva seus aposentos intactos.

Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo