Design Weekend: Manifesto Tramas das Artes




By Kamy traz na 7 ª edição do festival, exposição coletiva com obras híbridas de ícones da arte contemporânea

Por Andréia Bueno

“A arte pode ser qualquer coisa desde que o artista diga que sim.”. Icônica frase de Marcel Duchamp, artista francês tido como o mestre da ideia de ready made como objeto de arte, transportando com audácia elementos da vida cotidiana para o universo desbravador das artes. E desse intercâmbio de ideias surgiu a exposição coletiva Manifesto Tramas das Artes, promovida com muita expertise e alma avant-garde pela By Kamy para a 7ª edição do Design Weekend (DW!), de 27/08 a 15/09, em São Paulo. 
Foto: Divulgação

Sob a curadoria da psicóloga e escritora carioca Daniella Bauer, que reuniu peças de artistas consacré como Niobe Xandó, Gilvan Samico, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, transportadas para tapeçarias e arazzos de artistas contemporâneos como Luisa Editore, Mónica Millán e Nicole Tomazi, que desenvolveram trabalhos exclusivos para o mesmo suporte, em um contexto híbrido totalmente novo. A exposição, que promove a transição entre o design têxtil e a arte contemporânea, mostra um novo ideal sobre a arte em uma sociedade volante e volúvel. 
Movida pela pergunta que não quer calar, o que é arte? Daniella mergulhou com maestria no universo único e particular de produções artísticas e em seu mercado esférico para trazer à tona essa resposta. “A arte é uma maneira de traduzir e manifestar o que compreendemos ou não, o que enxergamos, sentimos, tocamos, cheiramos, escutamos ou intuímos o que nos revolta, o que nos cala, o que precisa ser dito. Ela é acima de tudo um modo de quebrar paradigmas e estabelecer o novo.”, expressa a curadora.
Como no Manifesto Antropofágico escrito por Oswald de Andrade, que foi peça fundamental para a primeira fase modernista no Brasil, a ideia era reforçar a ruptura das produções artísticas do período, que chocaram por fugir completamente da estética europeia tradicional que até então influenciava os artistas brasileiros.
Encabeçado por ícones como Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, que já era considerada um dos grandes pilares do modernismo brasileiro, a Semana de 22, defendia o novo e uma nova escola artística. A frente de seu tempo, em 2017, a By Kamy fez sua primeira parceria para a realização de obras selecionadas de Tarsila em tapeçarias inéditas da mais alta qualidade. 
Dando prosseguimento a esse trabalho, a mostra “Manifesto Tramas das Artes” propõe duas parcerias: a primeira dará prosseguimento a fértil união com as obras de artistas falecidos e consagrados, que serão produzidas com o rigor técnico e cuidados necessários para manter a fidedignidade dos originais. A segunda parte dessa exposição será inovadora, um pequeno grupo de artistas contemporâneos com o propósito de produzir obras inéditas no suporte tapeçaria e arazzo. 
Devido à maturidade poética e de vanguarda do grupo e da By Kamy, será possível mergulhar nesse universo de impressões, que guarde vestígios de presença, com os vazios marcados pelo papel, preenchidos na tecitura dos fios tramados.

Serviço: 

Exposição Manifesto Tramas das Artes
Data: 27/08 a 15/09
Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado das 10h às 17h e Domingo das 10h às 14h
Entrada: Gratuita
Endereço: By Kamy Maison – Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1147, São Paulo – SP
(11) 3081-1266

Cate Blanchett mostra versatilidade em Manifesto




Por colaborador Samuel Carrasco

Uma arrebatadora aula para os apreciadores da arte: é assim que Manifesto, o drama que traz Cate Blanchett em suas inúmeras facetas, chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 26 de outubro.

Foto: Divulgação

Esse filme, do cineasta Julian Rosefeldt, vem em uma boa hora para o nosso público, imerso numa constante e desesperadora busca por saber “o que é arte”. Como se alguém, em toda humanidade, fosse capaz de responder a essa pergunta. Arte não é só o que a gente gosta, a arte está aí questionando, cutucando, expondo, analisando, propondo. E Manifesto é a prova cinematográfica (mais atual impossível) que essa discussão além de não ser nova, só reforça o poder da Arte no pensamento da sociedade, movendo e refletindo seus contextos durante séculos.

A ideia, a princípio, foi pegar manifestos artísticos a partir do século 20 (que são textos introdutórios de algum movimento, como regras para possíveis discípulos) e colocar Cate Blanchett para interpretá-los em 12 situações contemporâneas, no dia-a-dia de suas treze (sim T-R-E-Z-E!!!) personagens. Lá atrás, o diretor expôs sua obra em diversos museus pelo mundo num formato de instalação, mas foi no início desse ano que resolveu reunir as doze cenas nesse longa, que já foi aclamado em festivais pelo mundo, inclusive aqui pertinho, no Rio de Janeiro, onde foi aplaudido em todas as suas sessões.

Foto: Divulgação

Portanto, Manifesto não conta uma história, e nem várias histórias, e sim funciona como um exercício de apreciação, debate e absorção de suas inúmeras referências artísticas, além da inteligência como as cenas são construídas (do ponto de vista estético e de conteúdo) e da incrível capacidade de mutação dessa atriz que já é patroa no Oscar.

Os treze (sim T-R-E-Z-E!!!) personagens são tão diferentes, possuem construções físicas tão distintas e potentes, que o riso vem fácil quando vemos a transição da tão genial atriz, além também de serem hilárias e, porque não dizer, controversas as relações dos textos-manifestos encenados com o contexto em que ele aparece na tela, trazendo toda a crítica social (SPOILER: como no caso do manifesto Dadaísta, do movimento modernista, ser declamado como discurso em um funeral; OU das regras do Dogma 95, do diretor Lars Von Trier, sendo faladas por uma professora de primário enquanto passa as orientações para seus alunos. FIM DO SPOILER)

Foto: Divulgação

De fato, Manifesto vem com uma qualidade indiscutível, com brilhantes escolhas da direção que sabe se alimentar (e nos alimentar) com a sagacidade das discussões sociais, artísticas e políticas; com a divindade chamada Cate Blanchett em suas 13 (sim T-R-E-Z-E!!!) personagens muito bem elaboradas, e com toda essa gama de referências obrigatórias pra todo apreciador da arte como um todo.

Maaaas se você não é tão por dentro dos movimentos artísticos, não se preocupe! Manifesto também tem grandes chances de conquistar aqueles que ainda não foram picados pelo bichinho arteiro, já que não é um filme para se compreender, mas sim pra se discutir e aprender. Com certeza ninguém vai sair vazio das salas de cinema!

Foto: Divulgação

Confira o trailer e corre pra assistir!