Bendita Trupe propõe ‘antropofagização contemporânea’ em DESMASCARADOS


Créditos: Maria Clara Diniz


No Centenário da Semana de Arte Moderna, a Bendita Trupe presta uma homenagem a Oswald de Andrade (1890-1954), realizando uma desconstrução de O Rei da Vela. O resultado desta pesquisa cênica é DESMASCARADOS, uma (des)homenagem aos Reis da Vela do século XXI. Com direção de Johana Albuquerque, o espetáculo estreia no dia 18 de agosto no Teatro de Contêiner, onde segue em cartaz até 18 de setembro, com temporada de 5ª a domingo.

O elenco de criadores é composto pelos atores Marcelo Villas Boas, Vera Bonilha, Joca Andreazza, Fernanda Dumbra, Luciano Gatti, Cris Lozano, Sérgio Pardal, Pedro Birenbaum, Silvia Suzy, Jaime Branco, Ma Reys e Lisi Andrade. Completa a equipe em cena, 05 jovens atores que se destacaram no processo formativo como colaboradores bolsistas, contrapartida do Fomento, Lei Municipal que subsidiou o projeto.

Como seria “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade, caso ele o escrevesse nos dias atuais? Para responder a tal pergunta, a Bendita Trupe trabalhou com a criação de cenas a partir de fontes documentais, em processo colaborativo. As cenas surgem de um cruzamento entre os materiais modernistas, o ideário oswaldiano, um olhar sobre a peça e os acontecimentos que atravessam a todos em 2022. É dessa mistura e desta colaboração coletiva que surge este novo texto, DESMASCARADOS, que é construído no corpo dos atores.

Créditos: Maria Clara Diniz

Ainda sobre esse esforço de “comer” a obra oswaldiana, a diretora e idealizadora do projeto Johana Albuquerque acrescenta: “A ‘devoração’ parte do conceito de se alimentar de referências “de fora” para fortalecer “dentro”, e a desconstrução que estamos realizando surge exatamente deste lugar: olhar para um Brasil sem empatia e sem máscaras, numa linguagem debochada e demolidora – assim como fez Oswald de Andrade – mas agora com as nossas palavras, com foco no contemporâneo.”

DESMASCARADOS pode ser visto como um espetáculo em camadas, um panorama lúdico e ácido que faz o público rir, constrangedoramente, diante do que nos tornamos depois que a ‘elite da barbárie’ tomou as rédeas do país. O que ressoa da longa investigação da Bendita Trupe sobre o legado modernista e o ideário oswaldiano é a constatação de que os princípios da exploração despudorada que domina o nosso cotidiano não advêm de agora, e sim desde que conquistadores, donos do mundo e fabricantes de impérios dominaram as terras brasileiras em nome de suas majestades reais.

Serviço
Desmascarados – Uma (des)homenagem aos Reis da Vela do século XXI
Temporada: 18 de agosto a 18 de setembro, de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Teatro de Contêiner – Rua dos Gusmões, 43, Luz
Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)
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Classificação: 12 anos
Duração: 140 minutos
Capacidade: 80 lugares

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Por colaboradora Monise Rigamonti

Final de semana chegou! Veja abaixo, dicas de exposições imperdíveis que estão em cartaz na cidade de São Paulo.
>>> Cícero Dias no Centro Cultural do Banco do Brasil <<< 

Com curadoria de Denise Mattar, a exposição apresenta ao público o conjunto da obra do artista modernista Cícero Dias, contextualizando sua história e evidenciando sua relação com poetas e intelectuais brasileiros e sua participação no circuito de arte europeu. 

Foto: Divulgação

Além das obras, a mostra exibe também cartas, textos e fotos de Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Murilo Mendes, José Lins do Rego, Mário Pedrosa, Pierre Restany, Paul Éluard, Roland Penrose, Pablo Picasso, Alexander Calder, entre outros. São mais de 120 obras de grandes coleções públicas e privadas brasileiras. 

Rua Álvares Penteado 112, Centro, São Paulo. Quarta a segunda das 9h às 21hrs. Até 03/07. Grátis. Site: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/cicero-dias-um-percurso-poetico-2/
>>> Exposição de MáriOswald no Centro Cultural São Paulo <<<  

A exposição MáriOswald apresenta, entre outras obras, a série de desenhos originais de Tarsila do Amaral para o livro Pau Brasil (1925), de Oswald de Andrade, publicações como revista Klaxon, objetos e documentos da Missão de Pesquisas Folclóricas (1938) – expedição idealizada e organizada por Mário de Andrade no período em que ele esteve à frente do Departamento de Cultura de São Paulo – e expõe, sobretudo por meio de fotografias, audiovisual e impressos, a permanência de suas ideias e a potência de suas obras. 

Reprodução / Internet

Rua Vergueiro 1000, Liberdade, São Paulo. De terça a sexta das 10h às 20h, sábados, domingos e feriados das 10h às 18hrs. Até 30/07. Grátis. 

>>> Yoko Ono no Instituto Tomie Ohtake <<< 

A exposição da artista Yoko Ono que leva o título de “O céu ainda é azul, você sabe…”, tem a curadoria do islandês Gunner B. Kvaran, propõe uma viagem pela noção da própria arte, com engajamento político e social. Composta por 65 peças de “Instruções”, que evocam a participação do espectador para sua realização. Grande parte dos trabalhos são criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, Lighting Piece / Peça de Acender (1955), “acenda um fósforo e assista até que se apague”, sendo esta uma das instalações que podem ser conferidas na mostra. 

Reprodução / Internet

R. Coropés 88, Pinheiros, São Paulo. Terça a domingo das 11 às 20hrs. Até 28/05. Entrada R$12/R$6. Site: http://www.institutotomieohtake.org.br

>>> Teresinha Soares no MASP – Museu de Arte de São Paulo <<< 

Com curadoria de Rodrigo Moura, a exposição “Quem tem medo de Teresinha Soares?” Apresenta a trajetória da artista plástica Teresinha Soares, que também foi escritora, vereadora, miss, funcionária pública e professora. São exibidas pinturas, desenhos, gravuras e instalações, que ocupam o 2º subsolo do museu na sua primeira exposição panorâmica em um museu, sendo sua primeira grande individual em mais de 40 anos. Tem como temática principal a representação do corpo, tratando desde o erotismo ao o sexo, até o nascimento, a morte e a relação com a natureza. Outros temas como a questão do gênero, a liberação sexual feminina, a violência contra a mulher, a maternidade e a prostituição, também são abordados em sua extensa produção. 

Teresinha Soares – Morra usando as legítimas alpargatas – 1968 – Coleção da Artista

Av. Paulista 1578, Bela Vista, São Paulo. Terça a domingo das 10h às 18h; quinta das 10h às 20h. Até 06/08. Entrada R$30/R$15; grátis na terça. Site:  http://masp.art.br