Mês do Quadrinho: Artistas falam sobre técnica e representatividade em série sobre HQs


Créditos: Divulgação


Treze artistas, dentre eles o vencedor do Prêmio Jabuti 2020, Wagner William, protagonizam nova série televisiva sobre essa que é considerada a nona arte. “HQuem – A Arte de Desenhar Histórias”  percorre ateliês para registrar diferentes técnicas criativas e incentivar o debate sobre representatividade racial e de gênero nessa indústria. O audiovisual está no ar no canal por assinatura Prime Box Brazil.

Autor de “Silvestre” agraciado com Jabuti 2020 de “Melhor Quadrinho”, Wagner William (tema do 13º episódio) transita por multimídias, com ilustrações para livros a embalagens. Retratado na série pela inquietude, o Potiguar, de 42 anos, revisita a concepção de “Bulldogma” (2016), segunda obra da carreira, caracterizada por roteiro fluído e design fragmentado. A trama narra a rotina de uma ilustradora ao lado de seu buldogue francês, rodeados por eventos alienígenas, com inspiração contestadora do movimento Nouvelle Vague.

Ganhador dos mais importantes prêmios do mercado, entre eles Jabuti e Eisner (2018), Marcelo D’Salete (4º episódio) é o quadrinista da negritude. O paulistano, de 41 anos, faz uma reflexão oportuna na série sobre o combate ao racismo e da resistência negra em histórias baseadas em fatos reais. Ele assina obras como “Cumbe” (2014) e “Angola” (2017). Também aborda a vida de pessoas marginalizadas dentro das grandes cidades, tendo como pano de fundo a periferia da grande São Paulo. No preto e branco e com um traço pesado, mistura ficção à realidade.

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Fabiane Langona (12º episódio) é uma das poucas cartunistas mulheres a ter espaço em grandes veículos de comunicação, com tirinhas publicadas em jornais diários de grande circulação. Projetada ao trabalho inclusivo, a gaúcha, de 36 anos, comenta em depoimento ao seriado sobre o seu pseudônimo ‘Chiquinha’, seus quadrinhos irreverentes com crítica ao papel que a mulher ocupa na sociedade, usando a ridicularização e humor como ferramentas para gerar a reflexão e o debate.

O internacional Mateus Santolouco (2º episódio) surgiu no cenário das HQs brasileiras como um dos criadores da série “Mondo Urbano” (2010), que conta histórias sobre ‘Sexo, Drogas e Rock’n’Roll’. O gaúcho, de 41 anos, tornou-se mundialmente conhecido no decorrer da carreira, celebrado como dos principais autores da franquia “Tartarugas Ninja”. Criou as origens do arqui-inimigo dos quatro mutantes esverdeados batizados com nomes de artistas italianos, o “Destruidor”.

“HQuem” também dedica episódios exclusivos a Eloar Guazzelli (adaptações de obras da literatura brasileira), Roberta Cirne (rara ilustradora em Recife que explora folclores da cidade em quadrinhos de terror), Diego Guerlach (usa a escala em preto e branco para traços agressivos em seus fanzines), Julia Bax (mistura o digital ao manual em obras independentes), Gabriel Jardim (conecta elementos regionais da Paraíba à brasilidade) e Fabio Zimbres (artista plástico que utiliza diferentes linguagens em experimentações).

Completam o time de entrevistados Ana Luiza Koehler (artista que reconstitui o passado das cidades baseado em pesquisa e formação em Arquitetura e Urbanismo), Arthur Garcia (um dos mais conhecidos artistas do mercado projetado pelo trabalho com mangás) e Roger Vieira (renovação pernambucano com traços que retratam a periferia). Os depoimentos dos artistas são intercalados por reflexões de estudiosos e depoimentos de fãs. “HQuem – A Arte de Desenhar Histórias” é assinado pela FBL Criação e Produção, com roteiro de Pedro Salomão e codireção de Rozane Braga e Adriana Miranda.

SERVIÇO

SERIADO “HQUEM – A ARTE DE DESENHAR HISTÓRIAS”

Canal de TV por assinatura: Prime Box Brazil

Novos episódios: quintas-feiras, às 21h30

Último episódio: 1 de abril

Reprises: sextas-feiras, 9h30 | domingos, 11h | segundas-feiras, 9h | terças-feiras, 12h30 | quartas-feiras, 12h

Temporada: 13 episódios de 30 minutos

Classificação indicativa: livre

Márcio Kieling e Nuno Leal Maia protagonizam série de TV sobre submundo do futebol


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O futebol vai muito além das vitórias e derrotas dos jogadores em campo e da paixão e emoção da torcida pelo seu time favorito. A série de TV que irá expor o esquema obscuro do submundo do esporte, intitulada ‘Chuteira Preta’, protagonizada pelos atores Márcio Kieling e Nuno Leal Maia, tem data de estreia definida para 13 de julho, às 22h, no canal por assinatura Prime Box Brazil.

Máfia russa de compra de resultados de partidas, corrupção de dirigentes, autoboicote dos próprios atletas e alienação religiosa e familiar. Esses são alguns dos elementos tratados na série, que têm levado ao declínio precoce de carreiras talentosas e prejuízos milionários à indústria brasileira e internacional do esporte.

“A primeira grande habilidade que os jogadores devem aprender é saber lidar com o perigo iminente dentro e fora dos campos a todo instante. Só sobrevivem aqueles que aprendem essa regra que não é tão clara”, pontua o cineasta Paulo Nascimento, que assina roteiro e direção da série.

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Os primeiros teasers da série, que ajudam a compreender os arquétipos do futebol, começam a ser veiculados na programação e perfis no YouTube, Instagram e Facebook do Prime Box Brazil.

O protagonista Kadu (interpretado por Márcio Kieling), com apenas 29 anos de idade, é o jogador multipremiado, saído da periferia, que não tem mais o bom desempenho técnico que o levou à principal seleção do país. Mas ele persiste na volta por cima devido à promessa feita à mãe falecida.

Jair (Nuno Leal Maia), ex-craque de 1970 com seus atuais sessenta e poucos anos, é a referência esquecida pelo seu sobrinho do futebol-raíz. Embora chateado com o distanciamento do filho de sua irmã falecida, ajudará Kadu voltar às suas origens treinando no campinho de várzea da periferia da cidade.

Com sua principal fonte de renda comprometida, em virtude do fim do contrato com o clube em que atuava no exterior, Kadu tem de administrar as altas demandas financeiras que extrapolam o seu estilo de vida.

Elas partem, principalmente, de seu pai. Cedenir (Kadu Moliterno) é o jogador fracassado, que inveja a relação do cunhado, Jair, com o filho, Kadu. O pai decidiu viver a vida às custas do dinheiro que o filho lhe dá.

Flávia (Karin Roepke) é de família rica, embora falida. Pede cada vez mais dinheiro ao ex-marido, Kadu, por exercer certo domínio sobre ele. Totalmente bipolar, a ex-mulher acha que o mundo deve girar em torno dela. Seu grande sonho é ter um filho.

O futebol-arte se confunde com politicagem. Dr. Sangaletti (Zé Victor Castiel) é o presidente do clube que traz Kadu de volta ao Brasil. É o corrupto nato do esporte e da política. Tenta retomar o mandato de deputado em busca da imunidade parlamentar.

Carniça (Allan Souza Lima) é o chefe da torcida organizada do clube que trouxe Kadu ao Brasil. Tem personalidade questionável e faz todo o trabalho sujo que Dr. Sangaletti precisa. Há uma cumplicidade inabalável entre o chefe de torcida e o presidente do clube.

Sinônimo de consagração de carreiras, a presença de jogadores brasileiros no futebol internacional também será discutida na série ‘Chuteira Preta”. A porta de entrada acontece pela Europa em times pequenos de Portugal e Espanha.

Genaro (ator italiano Nicola Siri) é o empresário descobridor e amigo do Kadu. Tenta reorganizar a vida do jogador e a carreira desse atleta que se perdeu.

A série ‘Chuteira Preta’ tem produção assinada pela Accorde Filmes. É baseada em fatos (sur) reais, muito embora vale ressaltar, propositalmente, uma obra de ficção.