Casa Natura Musical recebe exposição sobre ancestralidade e novos futuros


Thásya Barbosa ! Créditos: Divulgação


Está em exibição gratuitamente, na fachada da Casa Natura Musical, a mostra OUTROS FUTUROS/TERRITÓRIOS IMINENTES, co-criação do Coletivo Coletores junto à equipe da Casa Natura Musical. A exposição acontece na galeria independente de difusão de arte digital do equipamento cultural, nomeada NA FAIXA, que por meio de um painel de LED de 8,96m de comprimento por 1,92m de altura, ocupa a fachada do espaço, localizado entre as ruas Artur de Azevedo e Rua dos Pinheiros.

A mostra traz os olhares e perspectivas do Coletivo Coletores junto com as e os artistas biarritzzz & Abros, Thásya Barbosa, Pavuna Kid e Koral Alvarenga. A partir de seus imaginários, histórias, corpos e territórios não hegemônicos, as obras evocam futuros iminentes que estão sendo construídos.

Tendo como eixos curatoriais o corpo e a cidade, a tecnologia e as coletividades, OUTROS FUTUROS/TERRITÓRIOS IMINENTES apresenta um conteúdo inédito de arte digital com estéticas que convergem em uma variedade de linguagens, como vídeo-arte, dança, fotografia, linguagem 3D e realidade aumentada.

Artistas e obras expostas na Casa Natura Musical

Coletivo Coletores – É um Coletivo de arte/intervenção urbana, formado em 2008 na periferia da Zona Leste da Cidade de São Paulo pelos artistas e pesquisadores Toni Baptiste e Flávio Camargo Seres, o COLETORES tem como proposta trabalhar a cidade como meio e suporte para suas ações, a partir de conceitos como arte e jogo, design social, cyber-arte, arte relacional, além do trânsito entre diversas linguagens como instalação, fotografia, interfaces de baixas tecnologias, game art, vídeo mapping, cinema e publicações impressas.

Com uma trajetória ímpar o Coletores já participou de diferentes eventos ligados à Tecnologia, arte e cidade, como SPURBAN, FILE, FONLAD Portugal, Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, Bienal de Arte Contemporânea de Dakar, Ocupação Red Bull Station, Circuito SESC, assim como uma série de ações sociais em periferias e comunidades dentro e fora do Brasil além de um histórico de ações com grandes marcas como Nike, Youse Puma, Banco Itáu, Boticário, entre outras.

Série: Oniscientes

Onisciência baliza uma das principais visões sobre o universo desde sua origem, passando pelos dias atuais se lançando para o futuro. Pressupõe um tipo de conhecimento, norma, lei ou visão que nos une como processos e resultados que nos antecedem, nos acompanham e nos conectam como seres vivos e como partes de um todo muito maior do que podemos compreender.

Coletivo Coletores – Oniscientes | Créditos: Divulgação

Em muitas civilizações esse mesmo princípio está presente orientando comunidades, sociedades e religiões. Kojo Baiden, Adobe Santann e Hórus são algumas das materializações desse conceito, ora como um princípio ou entidade, em comum entre elas a representação de um olho que se apresenta como a totalidade do universo e a ordem natural e social das coisas. Oniscientes, aqui no plural, faz justamente uma conjunção e convergência de olhares sobre a possibilidade de, mesmo em tempos, contextos e personagens diferentes, algo pode estar a nos conectar e impulsionar.

biarritzzz (1994, Fortaleza, vive e trabalha em Recife, Brasil) é uma artista transmídia que atua entre linguagens, traduções e códigos. Põe em jogo a questão da tecnicidade versus amadorismo e ciência versus magia na criação de realidades. Em seu trabalho remixa cultura pop, vídeoarte, política de memes, estéticas de videogame e poesia com as novas mídias. Investiga as infinitas linguagens dessa intersecção, e suas criptografias a partir dos corpos não hegemônicos, como ferramenta de poder.

Biarritzzz | Créditos: Divulgação

Uma das primeiras artistas brasileiras expoentes em GIF arte, já expôs nacional e internacionalmente, incluindo a plataforma Satélite (Pivô Arte e Pesquisa), Centro Cultural São Paulo, A.I.R Gallery, The Wrong Biennale, FILE, IMS (Instituto Moreira Salles), entre outros festivais e exposições coletivas. Atualmente integra o corpo de artistas do projeto Unfinished Camp.

ABROS – Interdisciplinaridade e diversidade são as tônicas da obra de Bros (28). Natural da cidade de Camaragibe-PE. Como multiartista, conduz investigações poéticas repletas de sobreposições de linguagem, onde a pintura, a performance, a arte urbana, a arte-educação e diversas outras práticas ocupam o mesmo espaço. Integra o Coletivo Carni de arte negra e indígena desde 2018 e o Coletivo Mural (Movimento urbano de arte do lambe) desde 2019 e a partir de 2020 representa a Nós Galeria (SP). Desenhista e Ilustrador pelo Senac/PE. Participou das Residências artísticas “Inarte urbana” em Natal-RN, “Bahia de Todas as cores” em Salvador (BA), “Arte SESC Confluências” em Garanhuns (PE), Ilha do massangano (PB), Juazeiro e Petrolina. Ainda a residência “Terra, poder e território” em Surubim-PE, e a Cuíca residência em Niterói (RJ) em 2020.

OBRA: Caminhar Para Trás: Onde os sinais que nos rodeiam falam para quem tem a chave

Em uma busca por vestígios do que já existiu, um ser encantado sobrevoa o rio Pinheiros anunciando a chegada de um guardião. Numa parceria inédita, biarritzzz e Abròs Barros criam a animação Caminhar Para Trás: Onde os sinais que nos rodeiam falam para quem tem a chave. Essa chave atravessa os tempos e aparece à vista, de onde nunca saiu. Os rios, a mata, os povos e os bichos que aqui viviam, habitam uma terra invisível de teias suspensas, que flutuam à espera de um novo colapso. O fogo que anda segue caminhando, e esta caminhada não olha para frente”.

Abros | Créditos: Divulgação

Dentro de uma leitura não linear de tempo, o trabalho revisita duas obras de grafitti realizadas por Abròs em períodos distintos em Camaragibe e Maracaípe (PE), que alimentam um mesmo imaginário compartilhado, num movimento que segue outros ciclos de produção de imagem, simbologia e significados, revelando outra camada dessas produções para além do aqui e agora.

No universo da apropriação digital e da linguagem do chromakey, biarritzzz desenvolve a animação partindo de uma pesquisa de mapas do entorno da própria Casa Natura, local onde é exibido o trabalho, e de imagens de drone sobre Rio Pinheiros, curso de água enforcado pela metrópole paulista que dá nome ao bairro onde a casa está localizada. A mata da Serra do Mar, de onde nascem as águas que lhe formam, é fundo, fim e recomeço da narrativa, que remonta aos olhos dos encantos, que nas sobras e restos ainda protegem, mas também se vingam.

Pavuna Kid | Créditos: Divulgação

Pavuna Kid é a persona de incorporação criativa de Theuse Luz d’Pavuna, artista visual & performer carioca não binária que combina a corporeidade das danças urbanas com dinâmicas do audiovisual criando obras que questionam a ideia de performance de gênero e a relação entre corpa-cidade.

OBRA: Quem Tem Coragem?

Avenida Brasil. Rodovia mais movimentada do Rio de Janeiro. Liga o extremo da Zona Oeste ao Centro da Cidade, rota principal de muitos trabalhadores e estudantes periféricos. O familiar ambiente caótico, da correria e do trânsito pesado, dá lugar a uma atmosfera onírica.

Koral Alvarenga | Créditos: Divulgação

Em “Quem tem coragem?” a artista, sensei da House of BUSHIDŌ pertencente à comunidade Ballroom, ressignifica esse espaço de fluxo ao performar a Voguing em um espaço que em primeira vista parece comportar a diversidade, mas que na verdade é codificado e inabitado. Reavendo o seu direito de passar e transpassar, Pavuna Kid questiona: Quem tem coragem de lutar pela verdade?

Koral Alvarenga é artista digital, formada em Artes Visuais e pós-graduada em Fundamentos da Cultura e das Artes pela UNESP, pesquisa a tridimensionalidade da arte na intersecção entre o digital e o físico, mesclando processos de modelagem 3D, escaneamentos 3D, tecnologia 360º e realidade virtual e impressão 3D.Dentre os seus trabalhos desenvolve o projeto “Guerrilheira” no qual conecta imagens em diferentes formatos com filtros do Instagram em AR e modelagem para impressão 3D. Outras linhas poéticas apresentadas em seus trabalhos são o pós-humano, a cyborguização, as narrativas imagéticas sobre identidade, as conexões entre as pessoas, o universo e os tempos, trazendo em suas criações elementos e símbolos que permeiam a existência humana com um olhar futurista.

É co-criadora do Coletivo VIA, compõem a rede de artistas digitais da Brazil Immersive Fashion Week e dentre as exposições e projetos que participou, destacam-se: Dreaming The Cities conexão Lahore, Paquistão x São Paulo, Brasil, Do Palco às Ruas | Coletivo Coletores | Re-Sankofa” no CCSP -Centro Cultural São Paulo, Women Music Event (WME) na Casa Natura Musical, Festival GRLS!” no Memorial da América Latina, Fragmentos da Memória do projeto Entre-Linhas premiado com o Edital VAI,LOTE –LUGAR,OCUPAÇÃO,TEMPO E ESPAÇO no Instituto de Arte-UNESP, Imagísticas femininas no Centro Cultural Butantã, Telefone sem fio na Ocupação Cultural Mateus Santos,1º Salão de Artes Visuais da Quarentena, Projeto Tebas/Rememória II do Coletivo Coletores, Imaginários Coletivos da IMAGECON, além de realizar dois trabalhos didáticos com arte e tecnologia na Pinacoteca de São Bernardo do Campo

OBRA: Guerrilheiras

Pensando o feminino e o seu direito a cidade, “Guerrilheira” se manifesta como eixo de discussões para transformação/ inovação social e digital dentro do território periférico. A obra traz em sua poética questões acerca do feminino, reflexões de como é resistir e existir em territórios de alta vulnerabilidade, sendo necessário o uso de mascaras físicas e simbólicas para se proteger de inúmeros abusos, lançando um novo olhar sobre o feminino periférico digital.

Thásya Barbosa | Créditos: Divulgação

A ideia do trabalho é discutir a cidade e refletir sobre espaços de luta, liberdade, criação artística feminina e ao mesmo tempo um espaço de medo e segregação e opressão tecnológica em relação ao feminino, trazendo em sua narrativa experiências visuais que reflitam sobre como a cidade pode se tornar um espaço amigável para as mulheres se expressarem criativamente podendo existir da maneira que elas são e sendo retratadas através do viés tecnológico e artístico.

Thásya Barbosa – No ambiente urbano ou em meio à natureza, o trabalho fotográfico de Thásya tem como protagonista o corpo e suas possibilidades tanto anatômicas, quanto de inserção e correlação com o espaço que o circunda. Inspirada por inúmeras mulheres, na filosofia e nas artes, a artista encontrou na fotografia a sensibilidade estética que se faz para além da captura de imagens, permitindo contar histórias e prazeres no reconhecimento de si na imagem de outras mulheres Hoje a fotógrafa está radicada no Rio de Janeiro e por meio de suas obras participou de exposições nacionais e internacionais em espaços como Itaú Cultural, DriveThru.Art, Galeria de Arte Luís Maluf, G. Wickbold Studio, Brazil Foundation, ApArt, The 55 Project, POSTER Mostra, Mulheres Ocupam (projeto Nike). Mulher, negra, artista brasileira, Thásya usa sua voz para espalhar carinho, empatia e denúncia.

Série: Futuro Ancestral

Panaceia, Boldo, Colônia, Jurema, Levante, Guiné e Arruda.
Busco a cura através dos meus ancestrais.
Lavo cabeça, limpo meu corpo e alma. Assim eu me deito sentindo o aroma da cura que me atravessa e acalma. A série “Futuro Ancestral” retrata o ritual de limpeza espiritual através de raízes e ervas, feito na cidade de Barra do Piraí, interior do Rio de Janeiro, no T.E. Espírita CAB 7 Flechas e Ilê do Oxosse, onde nasce o reencontro e reconexão da fotógrafa com seus ancestrais.

Serviço
NA FAIXA – OUTROS FUTUROS/TERRITÓRIOS IMINENTES
Até 1º de abril de 2022
Horário: De terça-feira a domingo, das 17h às 23h
Gratuito | Livre

CASA NATURA MUSICAL
Rua Artur de Azevedo, 2134, Pinheiros, São Paulo
www.casanaturamusical.com.br
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São Paulo ganha novo projeto cultural com exposição inédita

São Paulo ganha novo projeto cultural com exposição inédita

Créditos: Divulgação


Como criar novas experiências por meio da arte e trazer alento neste momento de pandemia e isolamento social? Foi a partir desta indagação que nasceu a DriveThru.Art, uma exposição inédita, em formato drive thru, que leva obras de 18 artistas de diferentes gerações, técnicas e pesquisas à ARCA.

O espaço é um antigo galpão com mais de oito mil metros quadrados, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, onde funcionava uma grande indústria metalúrgica, que marcou a transformação industrial da cidade. Aberto ao público a partir de 17 de julho, o projeto idealizado por Luis Maluf, da Luis Maluf Art Gallery, ao lado de Mauricio Soares e Mário Sérgio Albuquerque, da ARCA, propõe visitas apenas de carro, como resposta ao distanciamento imposto pelo atual cenário da pandemia.

O amplo espaço da ARCA foi adaptado para receber um circuito de visitação percorrido dentro de veículos, com hora marcada e seguindo todos os protocolos e diretrizes de segurança da pandemia. O funcionamento será de quarta-feira a domingo, das 13h às 21h. As visitas são organizadas em um circuito com duração de aproximadamente uma hora, com limite de até 20 carros simultâneos no espaço. A regra é que cada veículo tenha ocupação de, no máximo, quatro pessoas. Os ingressos podem ser obtidos no site drivethru.art e, no ticket, o visitante pode acessar todas as orientações para o percurso.

A curadoria realizada por Luis Maluf elegeu artistas que trabalham em torno de questões latentes na contemporaneidade, como reflexões sociais, a importância da representatividade das mulheres negras e a urgência à preservação do meio ambiente. São pinturas, vídeos e fotografias de nomes consolidados na cena da arte contemporânea e coletivos criados na pandemia: Acidum Project, Apolo Torres, Crânio, Criola, Edu Cardoso, Felipe Morozini, Gian Luca Ewbank, Hanna Lucatelli, Juneco Marcos, Luiz Escañuela, Nathalie Edenburg, Patrick Rigon, Raquel Brust, Ruas do Bem, Thasya Barbosa, Vermelho Steam, Vinicius Meio e Vinicius Parisi.

Figuram obras como Carne Viva (2019), de Luiz Escañuela, óleo sobre tela de 100x70cm, no qual o artista traz ao público uma criação da Floresta Amazônica com textura de pele humana, representando uma artéria na extensão da Bacia do Rio Amazonas. Os ferimentos criados na obra apontam para os focos de queimadas e desmatamento da floresta no ano de 2019, um convite – e também um provocação – do artista à reflexão sobre nossas ações perante os anseios de domínio da natureza.

Ainda na linguagem da pintura, o visitante também poderá ver a obra Nunca Haverá Silêncio, de Patrick Rigon. A intersexualidade é abordada através de uma figura andrógina envolta por uma aura de contemplação que beira a divagação e a melancolia. O alto contraste, a luz oblíqua e os ornamentos indicam uma inspiração no barroco, unida à elementos do pop contemporâneo, com o embate de cores geradas por luz artificial e os adornos naturalistas com flores e cobras-coral.

São Paulo ganha novo projeto cultural com exposição inédita
Créditos: Divulgação

Também em tom de reflexão sobre o momento atual, o projeto Ruas do Bem leva à ARCA frases como “Cada rua vazia é uma multidão contra o vírus“. Idealizado pelo produtor gráfico Victor Ghiraldini e pelo publicitário Marcelo Nogueira, em abril deste ano, início da pandemia do novo coronavírus. O projeto começou com três mensagens, de até 15 metros, pintadas nas ruas do centro de São Paulo e planejadas para serem vistas do alto dos prédios, sem que as pessoas precissassem sair de suas casas. Seguidas pela hashtag #fiqueemcasa, as mensagens enfatizavam a importância do isolamento social para conter a disseminação da Covid-19.

Fotografias e vídeos também estão presentes na exposição inédita em formato drive thru. Em Não Estamos Sozinhos, de Felipe Morozini, a frase que dá o título da obra é aplicada sobre uma Floresta Amazônica e propõe uma reflexão sobre o nosso pertenciamento junto à natureza – tanto no sentido de acolhimento como uma alerta sobre as nossas responsabilidades individuais que fazem parte de um todo conectado.

SERVIÇO:
DriveThru.Art
Abertura: 17 de julho, sexta-feira, às 13h
Período expositivo: 17 de julho a 9 de agosto
Local: ARCA
Endereço: Avenida Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo
Visitação (apenas de carro): quarta a domingo, das 13h às 21h (ultima sessão às 20:10h)
Informações ao público e ingressos: drivethru.art

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