Monge lança novo devocionário para os devotos de São Bento


Créditos: Divulgação


Desde a antiguidade os cristãos se preocuparam em transmitir costumes no culto para reverenciar a Deus e a seus seguidores, os santos. Inicialmente as orações dos cristãos eram as mesmas dos judeus, uma vez que eles eram também judeus e ainda não se reconheciam diferentes deles. Assim, nossa Liturgia das Horas e a recitação dos Salmos são herança clara, além de outros elementos. No entanto, aos poucos, a partir do século 2º, nossa maneira de rezar vai ganhando forma própria. Uma liturgia mais exclusiva se desenvolve e o culto propriamente “cristão” se espalha.

Como os cristãos eram perseguidos por sua fé, precisavam rezar às escondidas. Aliás, este dado já pode ser encontrado na ocasião da morte do Cristo, quando os Apóstolos se reuniam às portas fechadas. O culto cristão nasce destas reuniões clandestinas. Os locais eram os mais variados: residências, cemitérios… Nesta época ainda não existiam os templos cristãos, as igrejas que conhecemos hoje. Mas não foram poucas as vezes que eram denunciados por praticarem a fé no Cristo. Estes homens e mulheres eram levados diante de autoridades governamentais e religiosas para prestarem culto a deuses pagãos e renegarem a fé em Jesus Cristo. Alguns deles não aceitavam tais imposições. Assim, eram condenados por morte infame. Passaram a ficar conhecidos como mártires, que quer dizer testemunhas.

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O primeiro mártir foi Estevão, em Jerusalém, e sua morte é relatada no livro dos Atos dos Apóstolos. Aliás, os Apóstolos, aqueles que foram escolhidos pelo próprio Jesus para levar adiante sua missão, foram mortos por causa da fé, salvo João que morreu bem idoso.
Nos três primeiros séculos, milhares de homens e mulheres deram sua vida por Cristo.

A devoção aos santos mártires se espalhou por todo o mundo Antigo e suas histórias, fomentaram devoções tanto no âmbito local, quanto no universal. Em praticamente toda região dominada pelo Império Romano houve perseguição em algum momento da história. Em pouco tempo surgiam pedidos e orações por estes santos que já estavam com Deus.

Junto à devoção aos santos mártires, Maria, a Mãe de Deus, também foi ganhando espaço cativo no coração dos cristãos. Ela, que havia dito “sim” ao projeto de Deus, estava também diante d’Ele em sua glória. A oração da Ave-Maria vai se desenvolvendo e sendo recitada com algumas variações em diversos lugares. Tornou-se aos poucos, uma oração “obrigatória”.

Após o período dos mártires, a Igreja vive uma outra fase. A dos confessores, dos Padres do Deserto, monges e monjas, e ao mesmo tempo, a dos chamados Padres da Igreja. São Bento encontra-se inserido neste período histórico.

Os cristãos reconhecem nos santos, intercessores junto a Deus. Suas vidas repletas de caridade pelo próximo e por uma particular reverência a Deus e sua mensagem, são espelho para nossas vidas.

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Mas quem é São Bento?

A História de São Bento, sua vida, foi escrita por São Gregória Magno, um monge que se tornou um dos mais importantes Papas da História da Igreja. Nascido em Núrsia, (Itália) por volta do ano 480 de uma família nobre, São Bento ainda jovem estudou em Roma, tendo posteriormente procurado viver como eremita numa gruta chamada Subiaco. Anos depois, fundou em Montecassino um mosteiro. Foi nesta localidade que escreveu uma regra de vida, hoje conhecida como Regra Beneditina ou simplesmente, Regra de São Bento. Esta regra determina que os monges dividam o tempo no mosteiro entre momentos de oração e trabalho (Ora et Labora), lema da Ordem dos assim chamados Monges Beneditinos.

São Bento morreu no mosteiro de Montecassino a 21 de março de 547. Suas relíquias podem ser veneradas na crípta deste cenóbio, num magnífico mausoléu decorado em estilo beuronense.

Os monges beneditinos fundaram milhares de mosteiros em muitos países europeus durante a Idade Média. Na América o primeiro mosteiro beneditino foi fundado em Salvador, na Bahia, em 1581. Hoje os monges e monjas estão espalhados por todo o mundo.

São Bento é bastante conhecido por sua medalha e pela oração que ela carrega. Infelizmente, sua história resumidamente relatada aqui, é pouco conhecida, apesar de o santo ser bastante venerado.

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Um devocionário a São Bento

Há muitos devocionários e/ou novenas dedicados a São Bento. O Devocionário e Novena agora publicado pela Editora Ave-Maria, porém, foi elaborado por um beneditino e traz algumas orações apenas rezadas em mosteiros. Obviamente, traz também orações da devoção popular, de bela composição e que já faz parte da vida de muitos fiéis.

Há uma importante explicação sobre a história e sentido da Medalha de São Bento, com as versões em português e latim de sua oração:

A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que me ofereces, bebes tu mesmo do teu veneno!

São Bento, como um dos santos mais queridos, têm o culto aprovado e preservado pela Igreja. O Catecismo da Igreja Católica – CIC – traz importante esclarecimento a respeito do culto das imagens dos santos:

Todos os sinais da celebração litúrgica são relativos a Cristo: são-no também as imagens sacras da santa Mãe de Deus e dos santos. Significam o Cristo que é glorificado neles. Manifestam “a nuvem de testemunhas” [Hb 12, 1] que continuam a participar da salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Através dos seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado “à imagem de Deus” e transfigurado “à sua semelhança”, assim como os anjos, também recapitulados por Cristo […]. (§1161)

O Concílio de Trento, a respeito do culto dos santos, de suas relíquias, assim como de suas imagens, decreta que
[…] devem-se conservar, especialmente nos templos, as imagens de Cristo, da Virgem mãe de Deus e dos outros santos e a elas deve conferir a devida honra e veneração, não por se acreditar que haja nelas alguma divindade ou virtude em razão da qual deveriam ser cultuadas, ou para se obter algo delas, ou porque se deva depositar confiança nas imagens, como outrora ocorria com os gentios, que colocavam suas esperanças nos ídolos, mas porque a honra que é a elas dirigidas volta-se para os modelos que representam, de tal forma que, através das imagens que beijamos e diante das quais descobrimos a cabeça e nos prostramos, adoramos a Cristo e veneramos os santos cuja aparência elas reproduzem.

Isto é o que, através dos decretos dos concílios, sobretudo o segundo sínodo de Nicéia, estabeleceu-se contra os que atacavam as imagens […].
Este espírito cultual pode assim, ser encontrado nos devocionários, novenas e preces, como a que apresentamos.

Estas orações podem ser praticadas tanto particularmente, quanto em grupo, em casa em em capelas, igrejas, etc. É muito comum, por exemplo, uma comunidade eclesial rezar a novena em honra de um santo, nos dias anteriores ao do próprio santo ou santa. Isto ocorre geralmente nas igrejas onde estes santos são os titulares ou padroeiros. A novena a São Bento deve assim, ser rezada a partir dos 9 dias que antecedem ao dia 11 de julho, seu dia litúrgico. Há de se dizer, ainda que, a São Bento são dedicados dois dias festivos, 21 de março, dia de seu trânsito – morte – e 11 de julho – o mais celebrado – dia em que ocorreu a transladação de suas relíquias para a Abadia de Fleury, França, na Idade Média.

Este dia acabou por ser mais celebrado, devido ao dia 21 de março cair algumas vezes durante a Semana Santa.
Monges e monjas beneditinos

Ainda, sobre o nosso devocionário, tive a preocupação também, de nele acrescentar orações a santos e santas que percorreram a sabedoria beneditina, como sua irmã gêmea, Santa Escolástica, e aos dois primeiros seguidores de São Bento, os jovens São Mauro e São Plácido. Estes santos de grande importância, são ainda menos conhecidos que São Bento. Desta maneira, há uma possibilidade de os fiéis a eles invocarem também com orações devotas.

Além destas orações, os fiéis poderão rezar com a Regra de São Bento, uma vez que alguns trechos dela encontram-se na novena elaborada especialmente para o devocionário.

Há ainda, curiosidades que direta ou indiretamente remete à figura de São Bento ou aos beneditinos, como o Canto Gregoriano, a Lectio Divina, canto e meditação oficiais da Igreja e sempre preservados nos mosteiros.
Ao final encontram-se também endereços de alguns lugares beneditinos no Brasil, para que os fiéis conheçam com maior profundidade estes locais em que o espírito de São Bento é mais evidente. Os mosteiros são lugares de acolhida. Sempre estão de portas abertas para receber a todos.

Há de se dizer aqui que o Devocionário e Novena de São Bento têm também o cunho vocacional. São Bento dá especial importância à vida de oração. A regra Beneditina está repleta de preceitos sobre o modo de rezar e seu sentido no mosteiro. O monge deve rezar sempre, pois é um buscador de Deus. Assim, tais orações podem despertar nos jovens a curiosidade e o desejo de ingressar no mosteiro ou conhecer este oasis onde podemos encontrar o refrigério de Deus.

São Bento, apesar de ter vivido há mais de 1500 anos, é um santo para hoje, para agora. Há no mundo mais de 7.000 monges e 13.000 monjas. Os oblatos (leigos beneditinos) são bem mais numerosos, contando mais de 25.000. Num mundo de barulho e de dispersão, este números de buscadores de Deus à maneira de São Bento é de se admirar.

Devido a importância dos beneditinos na história, não apenas no sentido eclesiástico ou espiritual, mas também cultural, no ano de 1964, o Papa Paulo VI proclamou São Bento como Padroeiro da Europa.
O Papa Emerito Bento XVI em visita ao Mosteiro de Montecassino, fundado por São Bento e onde se conservam suas relíquias, proclamou: Os monges souberam ensinar com a palavra e com o exemplo a arte da paz atuando de modo concreto os três “vínculos” que Bento indica como necessários para conservar a unidade do Espírito entre os homens: a Cruz, que é a própria lei de Cristo; o livro, isto é, a cultura; e o arado, que indica o trabalho, o senhorio sobre a matéria e sobre o tempo.

Como os beneditinos, os fiéis devotos de São Bento podem proclamar as alegrias de Deus e render-lhe graças pela intercessão deste grande santo, o qual nos ensinou a dizer: que em tudo seja Deus glorificado.

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O Mosteiro de São Bento de São Paulo

O Mosteiro de São Bento de São Paulo é a casa beneditina mais antiga da cidade. Sua fundação remete ao século XVI, 1598. É um dos pontos turísticos mais visitados da capital paulista, sendo seu ponto alto a missa das 10h do domingo, na qual os monges entoam hinos com canto gregoriano.

Com uma bela fachada em estilo neorromânico e uma basílica decorada com a chamada arte beuronense, uma arte alemã, o visitante pode admirar a vida de São Bento contada no teto, nos vitrais e esculturas. É um dos símbolos de São Paulo.

Outro ponto importante é a padaria do mosteiro. Bolos, pães, biscoitos e até cerveja podem ser adquiridos num espaço todo especial que também oferece medalhas e souvenires aos visitantes. E no último domingo do mês é oferecido um brunch todo especial, mediante a reserva e compra de ingressos antecipadamente.

Além disso, o lugar hospedou a já mencionado Papa emérito Bento XVI em sua única visita ao Brasil, em 2007 e que ainda hoje conserva seus aposentos intactos.

Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo

Andréia Bueno

Andréia Bueno

Apaixonada pelas artes em geral, ama registrar cada instante, seja no trabalho ou durante viagens. Já realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais para o Acesso Cultural. Adora conhecer novos lugares e culturas, tendo viajado por 14 países entre o continente europeu, africano e americano.

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