Ivan Parente, muito conhecido e consagrado por trabalhos de sucesso no teatro, TV e música, entre os quais estão a novela “As Aventuras de Poliana”, onde o artista vive o divertido Lindomar, além de importantes espetáculos de teatro como “A Ópera do Malandro“, “Les Misérables“, “Godspell“, “Alô Dolly!“, “A Madrinha Embriagada“,”O Homem de La Mancha” e o mais recente, “Silvio Santos Vem Aí”, uma homenagem ao dono do SBT. Ivan também teve seu lado musical revelado em “O Teatro Mágico”, uma verdadeira fase de muito sucesso e reconhecimento. Conversamos um pouco com o artista sobre sua trajetória. Confira a seguir!
Acesso Cultural: Qual foi o principal divisor de águas para que você descobrisse sua vocação como artista?
Ivan Parente: Muitas vezes, esse ‘divisor de águas’, tentou chamar a minha atenção, mas devo admitir que o maior deles foi o meu encontro com o Fernando Anitelli, do grupo O Teatro Mágico, na faculdade de comunicação social (FIAM). Ele estava cantando “More than Words” numa rodinha da nossa classe e eu sem querer, ou intuitivamente, comecei a fazer a segunda voz, ele parou de cantar e quis saber quem estava fazendo aquela voz. Todos olharam pra mim e eu acabei dizendo que tinha sido eu. Ele me colocou sentado ao lado dele e cantamos a música toda. Fomos aplaudidos pela classe e outras classes começaram a entrar nos corredores, foi uma delícia. Tivemos que mostrar para todos os professores e assim nasceu o “Madalenna 19”, nossa primeira banda de sucesso da faculdade. Acho que alí eu entendi que não tinha mais escolha com relação à minha profissão. Tinha sido mordido pelos aplausos. Sigo cantando até hoje ao lado do Anitelli e o considero um irmão de profissão.
AC: Com tantos trabalhos de sucesso na bagagem, em sua carreira artística, existe algum especial que você tenha gostado mais de fazer? Conte um pouco.
IP: Bom, acho que não existiu espetáculo mais gostoso de fazer do que ‘A Madrinha Embriagada’ (The Drowsy Chaperone). Eu fazia um apaixonado por musicais, por discos de vinil, contava fofocas e desmistificava segredos dos artistas que faziam parte das histórias que eu contava. Comentava o espetáculo todo. Pela primeira vez me senti parte de uma obra inteira. Creio que minha personagem, ‘Homem da Poltrona’, foi a mais carismática e fofa que fiz em toda a minha carreira. Ele contava suas histórias com tanto entusiasmo que o público embarcava junto. Ele era um homem visivelmente solitário que preferia viver a vida dos musicais do que a sua própria vida. Era triste e ao mesmo tempo encantador. Miguel Falabella, com certeza, me deu um dos maiores personagens da minha carreira. Poder contar a história de um amante de musicais, sendo um profissional de musical, é um privilégio e eu vivi para viver isso.

AC: Sobre Lindomar, de “As Aventuras de Poliana”, qual característica da personalidade dele faz com que os telespectadores da novela se identifiquem tanto com ele?
IP: Acho que a simplicidade com que ele vê a vida. Ele é um cara honesto e inocente, ou seja, uma personagem difícil de se ver hoje em dia. Hoje todo mundo quer levar vantagem em tudo. Quer ‘fazer gato’ para ver a TV a cabo porque é caro demais, quer ganhar na loteria porque trabalhar é chato demais, quer ter um carro potente para apostar corrida nas ruas e por aí vai. Sinto que o ser humano se encontra numa competição diária e o Lindomar Gomes vai exatamente na contra mão. Ele vai encontrar o dono do dinheiro perdido. Ele vai morrer trabalhando. Essa personagem é o que todo mundo gostaria de ser, mas que não cabe muito na sociedade capitalista e consumista de hoje. Uma sociedade que sofre de ansiedade porque fica o dia inteiro nas redes sociais olhando pra cor mais verde do quintal do vizinho. Lindomar vê as cores das suas grandes conquistas e dá valor à elas. Morre de amor pela sua rainha Arlete (Letícia Tomazella) e amaria ter tido mais estudo e condições para dar uma vida melhor para seu filho Vinicius (Vincenzo Richy). Às vezes chamam ele de covarde, mas tudo depende do ponto de vista e eu creio que do ponto de vista da personagem, o Lindomar é um cara íntegro. Acho que a característica que chama mais a atenção dos telespectadores é o caráter incrível que ele tem e que tem faltado tanto em nossa sociedade.

AC: Após muitas personagens no teatro, quais características delas você considera que trouxe para a sua própria personalidade?
IP: Todas (risos). A cada ano eu faço uma personagem mais diferente do que a outra. Fiquei impressionado quando fiz o balanço um tempo atrás e percebi que fui do luxo ao lixo várias vezes. Encarnar personagens como o ‘Thenardier’, de Les Misérables, me fez entender melhor a condição humana, a respeitar os limites de uma sociedade criada a partir de quem tem mais e de quem tem menos. Eu tento não trazer nada da personagem para a minha personalidade porque isso pode gerar um efeito dominó no meu dia a dia. Tento deixar a personagem somente lá no palco. Mas confesso que um certo sarcasmo e um mau humor eu herdei do Thenardier kkkkkkkkk. Acho que como as minhas personagens são, na sua maioria, comediantes, isso trouxe um pouco mais de leveza e bom humor também para os ambientes em que eu transito. Prefiro as vezes perder o amigo e não perder a piada. Com amor, mas sempre com bom humor.
AC: Você viverá, muito em breve, o icônico jurado Pedro de Lara no musical “Silvio Santos Vem Aí”. O que podemos esperar da personagem? Veremos “um pouco do Ivan” na figura icônica de Pedro de Lara? Conte um pouco sobre o que vem por aí.
IP: Pedro de Lara era chamado de ‘jurado carrasco’, ou seja, pela apresentação você já sabe o que pode esperar dessa personagem, não é mesmo? Eu investi mais nos gestos e nas características explosivas do que em imitar todos os detalhes. Eu escolhi o riso e as rixas com a platéia – e ele amava irritar a platéia. Eu escolhi o homem que começa falando manso e se descontrola ao ouvir a primeira vaia. A direção gostou tanto que me colocou no espetáculo todo (risos). Tem um pouco do Ivan sim, porque eu também sou um pouco explosivo, mas mais controlado do que o Pedro de Lara, e é claro que você vai poder ver o Ivan humorista que os espectadores estão acostumados e gostam. Acho que o público vai se encantar com o que vai ver no musical ‘Silvio Santos Vem Aí’. Está hilário. Um elenco de primeira e uma equipe incrível da primeira produção da Paris Cultural. Tá muito bem dirigido pela Marília Toledo e pela Fernanda Chamma. Elas pegaram o clima daquela época e retrataram um pouco da experiência de um dia num programa de auditório, ou seja, é diversão garantida para quem entra no clima!

O musical “Silvio Santos Vem Aí” estreia hoje e traz Ivan como o icônico Pedro de Lara. Para saber mais sobre esse e outros musicais, além das novidades sobre Ivan Parente, acesse o nosso site!



