“PinóQuio”, da Cia PeQuod estreia no CCBB-SP


Créditos: Renato Mangolin


Banquete de diversão, o musical infantojuvenil PinóQuio estreia no dia 6 de maio, às 19h, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo, para temporada até 6 de junho (sessões sexta, sábado, domingo e segunda-feira). O teatro tem 140 lugares. PinóQuio é formado por 30 canções e texto feitos sob encomenda pelo maestro e compositor Tim Rescala para comemorar os 21 anos da Cia PeQuod. Concepção e encenação são de Miguel Vellinho, fundador da Cia PeQuod.

Da história do italiano Carlo Collodi (1826-1890), autor de “As aventuras de Pinóquio”, Tim Rescala e Miguel Vellinho enfatizam a importância da ética e da educação na formação do indivíduo desde a mais tenra idade. O nariz do boneco de madeira que se alonga a cada lorota tem menor importância na trama.

Toda a identidade visual de PinóQuio é inspirada no circo europeu do século XIX – dos cenários de Dóris Rollemberg à programação visual das peças gráficas por Roberta Freitas. Também está presente na cor dos figurinos, assinados por Kika de Medina, perucaria e visagismo com referências de palhaçaria, criado por Mona Magalhães, e um preparo de atleta, graças à preparadora circense de Barbara Abi-Rihan. À frente da preparação vocal estão Doriana Mendes e Alessandra Quintes. A iluminação é de Renato Machado, bonecos de Eduardo de Andrade. O espetáculo estreou no Rio, foi para Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF). Até aqui foram 69 sessões.

O público de São Paulo não perde por esperar. A cada sessão, de 100 minutos, inexiste instante para cochilo. O personagem-título, por exemplo, não sai do palco nunca. Liliane Xavier corre, pula, faz números com perna-de-pau, deita e rola sem perder o fôlego. Os demais atores idem. Todos cantam, dançam, tocam instrumentos e movimentam peças do cenário numa sucessão de cenas cirurgicamente cronometradas, costuradas pelas canções de Tim Rescala.

Créditos: Renato Mangolin

Aos 55 anos, Miguel Vellinho fundou e dirige a Cia PeQuod, referência por ampliar fronteiras para o Teatro de Formas Animadas, território que o artista frequenta como ator, escultor, diretor, dramaturgo e professor há 35 anos. Na PeQuod a regra é clara: luvas, bonecos, sombras, títeres e objetos estão prontos a povoar performances, instalações e dança para crianças e adultos. Mas a companhia também abre mão de tudo isso em prol da melhor forma de contar bem uma história. Neste PinóQuio predomina o trabalho dos atores em detrimento dos bonecos. Ainda que seja o boneco mais conhecido do mundo.

“Tudo que envolve a montagem de PinóQuio, que não pôde estrear em 2020, em função da pandemia de Covid-19, a torna mais emblemática. Ao estrear em dezembro de 2021 no Rio, nós vivemos na pele a responsabilidade da retomada do teatro presencial. Ter São Paulo na conclusão desta itinerância da peça através do CCBB é uma alegria diferente na atualidade. Rio e São Paulo são centros de produção teatral muito tradicionais. Trata-se aqui de um momento de reencontro e também de encontrar novos espectadores”, destaca Miguel.

PinóQuio encerra jejum de quatro anos da PeQuod longe de São Paulo. O mesmo elenco, que une várias gerações de artistas brasileiros, está junto desde a estreia (no CCBB-Rio em 1º de dezembro de 2021): Liliane Xavier, Marise Nogueira, Maria Adélia, Mona Vilardo (soprano), João Lucas Romero, Marcio Nascimento e Santiago Villalba (barítono), acompanhados ao vivo pelos músicos David Ganc (substituído por Dudu Oliveira ou Rodrigo Reveles) e Tibor Fittel.

Traduzido em 260 idiomas

PinóQuio sai da costela do clássico “As aventuras de Pinóquio”, do italiano Carlo Collodi, pseudônimo do jornalista Carlo Lorenzini, nascido em Florença, na Itália. Já foi traduzido em 260 idiomas.

O musical evidencia possibilidades do folhetim de Collodi para narrar a saga do pequeno herói no amadurecimento e construção de valores éticos, sempre iluminando a importância da educação. Afinal, Pinóquio quer deixar de ser boneco de madeira para se tornar gente. Tudo tem um preço, como ele vivencia a cada tropeço mesmo sempre amado pelo pai adotivo Geppetto.

Créditos: Renato Mangolin

A história se passa no Circo Collodi, em que os mestres de cerimônia são os cantores-atores Mona Vilardo, soprano, e Santiago Villalba, barítono. Que participam com outros personagens num vaivém espantoso, marca onipresente em toda a encenação. Pinóquio é interpretado por Liliane Xavier, um dos nomes fundamentais da Cia PeQuod, que não sai de cena um só minuto. Geppetto é feito por Marcio Nascimento, outro pilar nestes 21 anos de trabalho da companhia teatral, bem como Marise Nogueira, intérprete do Grilo Falante. A Fada Azul é uma ode às mães e também ganha uma interpretação poética de Mona Vilardo.

Um pé em Brecht

“Vários aspectos renovam a linguagem do musical em PinóQuio. Começa por ser conduzido por cantores convidados, a soprano Mona Vilardo e o barítono Santiago Villalba, que se unem à Cia PeQuod. Apesar de todos os treinos, no entanto, os atores não são cantores. Por isso a utilização do canto falado, que foi usado por Schönberg em ‘Pierrot Lunaire’, em 1917, em que a rítmica é a escuta. O ritmo é escrito para o ator. Não há nada livre. Quando o compositor é o próprio letrista, a coisa flui mais. Kurt Weill apresentou o recurso a Brecht, que usava muito o canto falado. É interessante que ‘PinóQuio’ fica entre musical e ópera. A rigor, uma ópera tem 3h ou mais de duração. ‘Pinóquio’ tem 1h40”, analisa Tim Rescala, de 60 anos e 45 de trabalho profissional como compositor, arranjador, diretor e maestro.

Créditos: Renato Mangolin

Esta é a segunda parceria entre Miguel Vellinho e Tim Rescala. A primeira foi em “A feira de maravilhas do fantástico Barão de Münchausen”, montagem de sucesso estreada em 2015 que conquistou diversas indicações ao Prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil e três importantes vitórias (Produção, Direção e Interpretação masculina). PinóQuio é a segunda parte de uma trilogia que une de investigação da literatura infantil universal.

Nunca antes na história o boneco de madeira que queria virar gente teve sua história contada assim. Pode crer! Aventureiro que se acha suprassumo da esperteza, cara-de-pau toda vida, engambela o pai Geppetto, cabula aula e passa cada sufoco que só vendo. Afinal, sempre tem alguém cheio de maldade querendo se aproveitar da inocência de criança que, no fundo, é o que ele é.

Serviço

Estreia 6 de maio, às 19h | Local: Centro Cultural Banco do Brasil

Sessões: Segunda-feira e Sexta-feira – 19h | Sábado e Domingo – 15h

Classificação Indicativa: livre (indicado para crianças a partir de 7 anos)

Temporada: De 06 de maio a 06 de junho de 2022

Duração: 100 minutos | Lotação: 140 lugares

Ingresso: R$ 15 e R$ 30

Acessibilidade para cadeirantes

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP

Próximo à estação São Bento do Metrô |Informações +55 11 4297-0600 bb.com.br/instagram.com/ccbbsp

Aberto todos os dias, das 9h às 19h, exceto às terças-feiras

Estacionamento conveniado: Rua da Consolação, 228.com traslado gratuito até o CCBB. Parada no Metrô República no trajeto de volta. Consulte horário de funcionamento em nossas redes sociais. R$ 14 pelo período de 6h (necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB

SAC 0800 729 0722 / Ouvidoria BB 0800 729 5678

Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088

Jaqueline Gomes

Jaqueline Gomes

Jornalista graduada pela Universidade Nove de Julho, é especialista em Jornalismo Cultural, Assessoria de Imprensa e Mídias Sociais. Trabalha na área de comunicação desde 2010. Fundadora do Site Acesso Cultural, sempre quis desenvolver um veículo onde pudesse noticiar o que acontece de novidade no meio do entretenimento cultural. Apaixonada por shows de rock, livros, filmes, séries e animais.

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