“Não Aprendi Dizer Adeus” aborda o tema da morte na linguagem da palhaçaria


Créditos: Caio Oviedo/Divulgação


Uma palhaça contracena com a morte. No solo teatral “Não Aprendi Dizer Adeus”, que estreia em 17 de junho, em São Paulo, a palhaça Leila Simplesmente Leila (vivida por Bárbara Salomé) fala de forma leve, divertida e metafórica sobre um dos maiores tabus de nossa sociedade, a morte. Dirigido pela carioca Rafaela Azevedo, o espetáculo de circo contemporâneo utiliza a linguagem da palhaçaria para adultos e coloca Leila diante dos cinco momentos do luto: negação, barganha, raiva, depressão e aceitação.

Idealizadora do projeto, a artista mineira Bárbara Salomé pesquisa a linguagem do palhaço para além da cena, na relação direta com as pessoas. Já trabalhou em projetos em hospitais, asilos, filas de atendimento, comunidades e é integrante do coletivo Povo Parrir, que une povos indígenas e palhaços urbanos. No início da pandemia, sua palhaça Leila convocou pessoas para uma experiência: os atendimentos artísticos online chamados de “psico-riso-mágicos”. “Eu amarrei um pano na cabeça e ativei o lado terapeuta da Leila Simplesmente Leila, que se auto-intitula ‘fraudiana, lacraniana’ e sabedora de conhecimentos ancestrais. Tive uma ótima aceitação nas redes e comecei a fazer atendimentos com pessoas em diferentes estados emocionais, dentro e fora do país”, conta a artista. Por esse trabalho, a artista foi convidada a participar do documentário “Reinvenção” e o relato dessa experiência foi publicado no ebook da Circa Festivália.

Créditos: Caio Oviedo/Divulgação

Bárbara já buscava alguém para dirigi-la em um solo sobre a morte quando conheceu Rafaela pelo Instagram. “Fiquei encantada com o que ela faz com sua palhaça Fran. É uma linguagem rápida, inteligente e contemporânea de trabalhar a palhaçaria”, explica. A atriz lembra que o tema da morte sempre a assombrou, ao menos desde que perdeu sua irmã mais nova, aos cinco anos, para um mal súbito. “A minha primeira experiência de vida é de morte. Essa lacuna sempre me provocou medo, ao mesmo tempo vontade de entendimento, já que os adultos sempre evitavam o assunto”, completa.

A diretora Rafaela, que assina o roteiro em parceria com a atriz, passava por um momento de luto quando surgiu o convite. “Quando a Bárbara me convidou, eu estava vivendo o luto recente da morte dos meus pais e avós, que faleceram em 2019 e 2020. Meu trabalho é totalmente conectado com minha vida pessoal. Aceitei de primeira e recebi como um presente. Seria interessante elaborar o luto brincando com uma palhaça”, conta a diretora. “A palhaçaria trata de tudo que é humano. O riso gerado por uma palhaça é a partir da exposição de suas próprias desgraças. Ela exagera, extrapola, inventa sobre a condição humana. Tudo o que é inadequado é próprio de uma palhaça. O medo de lidar com a morte nos gera tanta angústia que pode nos fazer morrer em vida. Que consigamos brincar com ela enquanto estivermos vivos”, finaliza.

Serviço

“Não Aprendi Dizer Adeus”

Estreia em 17/6. Até 2/7

Onde: Oficina Cultura Oswald de Andrade

Endereço: Rua Três Rios, 363, Bom Retiro (São Paulo/SP)

Quando: sextas, às 20h, e sábados, 18h.

Quanto: Grátis

Duração: 50 minutos

Classificação etária: 16 anos

Leina Mara

Leina Mara

Formada em Letras na Universidade Federal do Ceará, apaixonada por cultura italiana, tv, teatro e música. Valoriza as pequenas coisas, momentos com os amigos e sonha em viajar pelo mundo.

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